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Legislação 10 min de leitura

INSS da babá em 2026: as duas contribuições que você paga, a tabela progressiva e os benefícios que sua babá garante

Entenda o INSS da babá: 8% patronal + 7,5% a 14% do empregado. Tabela 2026, cálculo faixa a faixa, benefícios garantidos e erros que geram multa.

Atualizado em
CF

Cynthia Freitas

Fundadora da Babá Certa · Mãe e empreendedora

Mãe brasileira na mesa da cozinha com notebook e documentos financeiros enquanto babá brinca com criança ao fundo na sala
O INSS da babá tem duas parcelas — uma sai do seu bolso, outra do salário dela. Confundir as duas é o erro mais comum

Resposta rápida

O INSS da babá tem duas contribuições: 8% patronal, pago pelo empregador por cima do salário, e 7,5% a 14% descontados do salário da babá em cálculo progressivo. No salário mínimo de 2026 (R$ 1.621), são R$ 129,68 do empregador mais R$ 121,57 descontados da babá, tudo recolhido numa única DAE até o dia 20 do mês seguinte.

R$ 121,57 descontados do salário da babá. Mais R$ 129,68 do bolso do empregador. Esses são os dois valores de INSS que aparecem todo mês na DAE de quem paga o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026. O primeiro é a contribuição do empregado e sai do salário bruto. O segundo é o INSS patronal: sai do empregador, por cima, sem encostar no contracheque da babá.

Quase todo empregador doméstico confunde essas duas parcelas em algum momento. Uns acham que pagam 8% e pronto. Outros juram que o INSS inteiro é descontado do salário da babá. As duas versões estão erradas, e a confusão cobra caro: quem recolhe errado acumula diferença na Receita Federal, e diferença ali vira dívida com juros e multa.

Neste guia, a gente abre as duas contribuições, mostra a tabela progressiva funcionando na prática, faz a conta pra salários diferentes e percorre o que o INSS garante pra sua babá, da aposentadoria à licença-maternidade.

As duas contribuições: patronal e do empregado

O INSS da babá são duas contribuições de natureza diferente, cada uma com sua alíquota e seu jeito de pagar. Quem separa as duas na cabeça já eliminou o erro mais comum da folha.

INSS patronal — 8% (pago pelo empregador)

O empregador paga 8% do salário bruto da babá como contribuição previdenciária patronal. Esse valor não é descontado do salário: sai inteiro do bolso de quem contrata, como um custo a mais sobre o valor combinado.

Para o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, o INSS patronal custa R$ 129,68 por mês. Se a babá ganha R$ 2.500, são R$ 200; se ganha R$ 3.500, são R$ 280. A conta é sempre a mesma: salário bruto × 8%.

E essa alíquota não se move. Não muda com a faixa salarial, não tem progressividade: 8% sobre o salário bruto, todo mês, do primeiro ao último. A base legal é o artigo 34 da Lei Complementar 150/2015, que criou o Simples Doméstico.

INSS do empregado — 7,5% a 14% (descontado do salário)

A segunda contribuição é da babá. O empregador desconta do salário bruto e repassa ao INSS via DAE. A alíquota vai de 7,5% a 14%, conforme a faixa salarial, e o cálculo é progressivo, faixa a faixa, no mesmo espírito do Imposto de Renda.

Na prática, a babá que ganha R$ 2.500 não paga 9% sobre R$ 2.500 inteiros. Ela paga 7,5% sobre a primeira faixa e 9% só sobre o que passa dela. Daqui a pouco a gente faz essa conta por extenso.

Tabela INSS 2026 para empregadas domésticas

A Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026, publicada em 9 de janeiro, atualizou as faixas. A tabela vale desde 1º de janeiro de 2026:

Faixa salarialAlíquotaParcela a deduzir
Até R$ 1.621,007,5%
R$ 1.621,01 a R$ 2.902,849,0%R$ 24,32
R$ 2.902,85 a R$ 4.354,2712,0%R$ 111,40
R$ 4.354,28 a R$ 8.475,5514,0%R$ 198,49

O teto do INSS em 2026 é R$ 8.475,55. Se a babá ganhar acima disso (raro, mas acontece), o desconto para no máximo: R$ 988,09.

Infográfico mostrando como o cálculo progressivo do INSS funciona para salário de R$ 2.500 em 2026: primeira faixa R$ 1.621 a 7,5% = R$ 121,57, segunda faixa R$ 879 a 9% = R$ 79,11, total R$ 200,69
O INSS não aplica a alíquota sobre o salário inteiro — cada faixa tem sua porcentagem, como o Imposto de Renda

Como funciona o cálculo progressivo (faixa a faixa)

O cálculo progressivo assusta à primeira vista, mas a lógica cabe numa frase: fatie o salário em pedaços e aplique a alíquota de cada pedaço.

Exemplo 1: salário de R$ 1.621 (mínimo 2026)

Aqui não tem mistério — o salário inteiro cabe na primeira faixa:

  • R$ 1.621,00 × 7,5% = R$ 121,57

A babá recebe R$ 1.499,43 líquidos (antes de outros descontos, como vale-transporte). O empregador paga os R$ 129,68 de INSS patronal por cima.

Exemplo 2: salário de R$ 2.500

O salário atravessa duas faixas. Olha como fica:

  1. Primeira faixa (até R$ 1.621): R$ 1.621 × 7,5% = R$ 121,57
  2. Segunda faixa (R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84): R$ 879 × 9% = R$ 79,11

Total descontado: R$ 200,69 (alíquota efetiva de 8,03%)

Com alíquota cheia de 9% sobre tudo, o desconto seria R$ 225 — R$ 24,31 a mais saindo do salário dela, mês após mês. O sistema progressivo existe justamente pra proteger quem ganha menos.

O empregador paga ainda R$ 200 de INSS patronal (8% de R$ 2.500). O INSS total que entra na DAE nesse cenário: R$ 400,69.

Exemplo 3: salário de R$ 3.500

Agora o salário cruza três faixas:

  1. Primeira faixa: R$ 1.621 × 7,5% = R$ 121,57
  2. Segunda faixa: R$ 1.281,84 × 9% = R$ 115,37
  3. Terceira faixa: R$ 597,16 × 12% = R$ 71,66

Total descontado: R$ 308,60 (alíquota efetiva de 8,82%)

INSS patronal: R$ 280. Total na DAE: R$ 588,60.

Atalho: parcela a deduzir

Se não quiser fatiar o salário, use a parcela a deduzir da tabela. Para R$ 2.500:

R$ 2.500 × 9% = R$ 225 − R$ 24,32 (dedução) = R$ 200,68

A diferença de R$ 0,01 é arredondamento. O resultado é o mesmo.

O que o INSS garante para sua babá

A contribuição previdenciária não é dinheiro jogado fora. Cada mês recolhido protege a babá — e a família dela — em situações de doença, maternidade, invalidez e morte. Isto é o que a contribuição mensal garante:

Aposentadoria por idade: 62 anos (mulher) ou 65 anos (homem) + 15 anos de contribuição. Quanto mais tempo de contribuição, maior o benefício. A babá que trabalha registrada dos 25 aos 62 anos acumula 37 anos de contribuição — e recebe acima do mínimo.

Auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença): se a babá adoecer ou sofrer acidente e não puder trabalhar por mais de 15 dias, o INSS paga o benefício a partir do primeiro dia de afastamento. Carência: 12 contribuições mensais (exceto acidente de trabalho e doenças graves, que dispensam carência).

Salário-maternidade: 120 dias de licença paga pelo INSS. Para empregada doméstica, não exige carência — qualquer tempo de contribuição dá direito. O valor é o salário integral da babá, pago diretamente pelo INSS (não pelo empregador).

Pensão por morte: se a babá falecer, os dependentes (filhos menores e cônjuge) recebem pensão mensal. A duração varia conforme a idade do cônjuge e o tempo de contribuição.

Salário-família: benefício extra de R$ 67,54 por filho menor de 14 anos (ou inválido), para quem ganha até R$ 1.980,38. O empregador paga junto com o salário e é ressarcido na DAE. É pouco, mas soma — com dois filhos, são R$ 135,08 a mais por mês.

Auxílio-acidente: se a babá sofrer acidente que reduza sua capacidade de trabalho, recebe 50% do salário de benefício como complemento — mesmo depois de voltar a trabalhar.

Mapa visual dos benefícios garantidos pelo INSS para babás: aposentadoria (15 anos de carência), auxílio-doença (12 meses), licença-maternidade (sem carência), pensão por morte, salário-família (R$ 67,54/filho) e auxílio-acidente
Cada mês de INSS recolhido acumula proteção — o salário-maternidade sozinho já vale anos de contribuição

Como o INSS é pago: a DAE do eSocial

O empregador doméstico não paga o INSS em guia separada. Desde 2015, tudo vai numa guia só — a DAE (Documento de Arrecadação do eSocial). Nela, o INSS aparece junto com FGTS, seguro acidente e reserva indenizatória.

O passo a passo é direto:

  1. Acesse o eSocial Doméstico com sua conta Gov.br
  2. Feche a folha do mês (até o dia 20 do mês seguinte)
  3. Gere a DAE — o sistema calcula tudo automaticamente
  4. Pague até o dia 20 do mês seguinte (se cair em fim de semana ou feriado, antecipe para o dia útil anterior)

O eSocial faz a conta do INSS progressivo sozinho: você informa o salário na folha e o sistema aplica a tabela vigente. A DAE sai com o valor exato, já dividido entre a contribuição do empregador e a do empregado. Ninguém precisa calcular faixa a faixa.

Se atrasar, a multa sobre o INSS é de 0,33% por dia (limitada a 20%), mais juros pela taxa Selic. Um mês de atraso já custa cerca de 10% do valor do INSS. Dois meses e a dívida pode parar na Dívida Ativa da União.

5 erros que empregadores cometem com o INSS da babá

1. Achar que diarista não precisa de INSS

A diarista que trabalha até 2 dias por semana na sua casa é autônoma — ela mesma deve pagar o próprio INSS como contribuinte individual. A partir do terceiro dia, porém, ela vira empregada doméstica, e aí o INSS é obrigação sua. Muita casa opera com babá 3 dias por semana “sem registro” achando que é diarista. Não é.

2. Confundir INSS patronal com INSS do empregado

O patronal (8%) é custo do empregador. O do empregado (7,5% a 14%) sai do salário. Os dois aparecem na mesma DAE, mas são parcelas diferentes. Quem paga “8% de INSS” achando que quitou tudo está recolhendo menos — e acumulando diferença na Receita Federal.

3. Aplicar alíquota cheia em vez de progressiva

A babá que ganha R$ 2.500 não tem 9% descontado do salário inteiro. O cálculo é progressivo: 7,5% na primeira faixa, 9% só no excedente. Se você desconta R$ 225 em vez de R$ 200,69, está tirando R$ 24,31 a mais por mês do salário dela — e ela tem direito a pedir a diferença.

4. Não recolher INSS sobre horas extras e adicionais

Hora extra, adicional noturno e DSR integram o salário de contribuição. O INSS incide sobre tudo, não só sobre o salário-base. Se a babá fez 10 horas extras no mês e elas ficaram fora da base de cálculo, você recolheu a menos.

5. Atrasar a DAE e ignorar a multa

O prazo é dia 20. Quem perde e gera a DAE no mês seguinte paga multa automática. E quem acumula meses sem pagar cria uma bola de neve: juros compostos, multa e risco de execução fiscal. A Receita não perdoa empregador doméstico — a fiscalização é automatizada, cruzando o eSocial com a base da PGFN.

INSS da babá vs custo total para o empregador

O INSS é uma parte dos encargos, não o todo. Veja onde ele se encaixa no custo mensal de uma babá que ganha o mínimo (R$ 1.621):

EncargoAlíquotaValor mensalQuem paga
INSS patronal8%R$ 129,68Empregador
FGTS8%R$ 129,68Empregador
Reserva indenizatória3,2%R$ 51,87Empregador
Seguro acidente (GILRAT)0,8%R$ 12,97Empregador
INSS empregado7,5%R$ 121,57Babá (desconto)
Total encargos empregador20%R$ 324,20

No fim da conta, uma babá no mínimo custa ao empregador R$ 1.621 + R$ 324,20 = R$ 1.945,20 por mês, fora vale-transporte e eventuais horas extras. Use a calculadora de custo CLT para simular com o salário da sua babá.

Perguntas frequentes sobre INSS da babá

O INSS patronal de 8% é descontado do salário da babá? Não. O patronal sai inteiro do bolso do empregador, por cima do salário combinado. Descontar essa parcela do salário da babá é infração trabalhista.

Babá que ganha salário mínimo paga quanto de INSS? R$ 121,57 por mês (7,5% de R$ 1.621), descontados do salário bruto.

O que acontece se eu não pagar o INSS da babá? Multa de 0,33% por dia sobre o INSS (até 20%), juros Selic e risco de inscrição na Dívida Ativa. E se a babá precisar de auxílio-doença ou aposentadoria sem o INSS recolhido, ela pode processar o empregador para cobrir o prejuízo.

Diarista de 2 dias por semana: quem paga o INSS? Ela mesma, como contribuinte individual — o empregador não tem obrigação previdenciária com diarista. A partir de 3 dias por semana, porém, a relação vira CLT e o INSS é obrigatório.

Licença-maternidade da babá: o empregador paga? Não. O salário-maternidade de 120 dias é pago diretamente pelo INSS. Durante o afastamento, o empregador segue recolhendo a DAE normalmente, mas não desembolsa o salário — o INSS cobre.


Dados atualizados conforme a Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026, vigente desde 1º de janeiro de 2026. As alíquotas e faixas são reajustadas anualmente.

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Perguntas frequentes

O INSS patronal de 8% sai do salário da babá?

Não. Os 8% patronais saem inteiros do bolso do empregador, por cima do salário combinado. Descontar essa parcela do salário da babá é infração trabalhista.

Como calcular o INSS de uma babá que ganha R$ 2.500?

O cálculo é progressivo, faixa a faixa: 7,5% sobre a primeira faixa (R$ 121,57) e 9% só sobre o excedente (R$ 79,11), totalizando R$ 200,69 — e não R$ 225, como seria com alíquota cheia de 9%.

Quem paga o INSS da diarista que trabalha 2 dias por semana?

Ela mesma, como contribuinte individual — até 2 dias por semana não há vínculo de emprego. A partir do terceiro dia na semana, ela vira empregada doméstica e o INSS passa a ser obrigação do empregador.

O que acontece se eu atrasar o INSS da babá?

Multa de 0,33% por dia (limitada a 20%) mais juros pela taxa Selic. Um mês de atraso já custa cerca de 10% do valor do INSS, e a dívida pode parar na Dívida Ativa da União.

A licença-maternidade da babá sai do bolso do empregador?

Não. O salário-maternidade de 120 dias é pago diretamente pelo INSS, sem exigência de carência para a empregada doméstica. O empregador só mantém a DAE em dia durante o afastamento.

Conteúdo informativo sobre legislação trabalhista; não substitui orientação jurídica ou contábil para o seu caso.

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