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Contrato de trabalho da babá: cláusulas obrigatórias, modelo pronto e os 7 erros que levam família à Justiça

Monte o contrato de trabalho da babá com as cláusulas certas. Modelo 2026 pronto, período de experiência, registro na CTPS Digital e erros que geram processo.

Atualizado em
RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia

Mãe brasileira assinando contrato de trabalho na mesa de jantar com caneta e documentos ao lado da carteira de trabalho
Um contrato bem feito custa R$ 0 e evita processos de R$ 30 mil — faça o seu antes do primeiro dia de trabalho

Você precisa de contrato escrito para contratar uma babá? A resposta curta: legalmente, não. A resposta prática: sem ele, você está apostando R$ 30 mil na boa vontade de todo mundo.

A CLT (art. 443) permite contrato verbal — e a LC 150/2015 não mudou isso para o trabalho doméstico. O problema é que contrato verbal funciona até a primeira divergência. A babá diz que combinaram 6 horas por dia. Você lembra de 8. Sem documento, a Justiça do Trabalho tende a acolher a versão da empregada. E “acolher a versão da empregada” significa pagar horas extras retroativas, diferenças salariais e indenização.

Este guia mostra como montar um contrato de trabalho para babá em 2026: cada cláusula que precisa estar lá, o período de experiência, a relação com o eSocial e o modelo pronto que você pode copiar e adaptar.

O contrato escrito é obrigatório?

Tecnicamente, não. O artigo 443 da CLT diz que o contrato de trabalho “poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito”. A LC 150/2015, que regula o trabalho doméstico, exige o registro no eSocial — mas não exige documento físico assinado entre as partes.

Na prática, todo advogado trabalhista recomenda o contrato escrito. A razão é simples: o vínculo empregatício existe de qualquer forma quando a babá trabalha 3 ou mais dias por semana na sua casa. Com ou sem papel assinado. O contrato escrito não cria o vínculo — ele documenta as condições que já existem. Salário, horário, função, benefícios, período de experiência. Se alguma dessas condições virar disputa, o contrato é a prova número um.

Sem contrato, o que acontece? O vínculo continua existindo (a lei não depende de papel), mas provar os termos fica na base do “disse-me-disse”. Na Justiça do Trabalho, isso quase sempre pesa contra o empregador.

O que deve constar no contrato: cláusulas obrigatórias

Um contrato de trabalho de babá precisa de 8 cláusulas essenciais. Não são opcionais — cada uma delas documenta algo que a lei já exige na relação de emprego doméstico.

1. Qualificação das partes

Nome completo, CPF, RG e endereço do empregador (pessoa física) e da babá. O empregador doméstico é sempre pessoa física — empresa não contrata babá pelo eSocial doméstico.

2. Função específica

Aqui mora o erro mais comum. A função precisa ser específica: “Babá” (CBO 5162-05). Nunca escreva “babá e empregada doméstica” ou “serviços gerais”. Se a babá for contratada para cuidar de crianças e fazer tarefas domésticas, o contrato precisa descrever ambas as funções de forma explícita — e o salário deve ser compatível com a dupla atribuição.

Função genérica no contrato abre brecha para acúmulo de função na Justiça. A babá pode alegar que fazia trabalho de doméstica sem remuneração adicional. Com a função detalhada por escrito, essa alegação perde força.

3. Jornada de trabalho

Especifique os dias da semana, horário de entrada, horário de saída, intervalo para refeição e dia de folga semanal (o DSR, preferencialmente aos domingos). O limite legal é 8 horas por dia e 44 horas semanais. Leia o guia completo sobre jornada de trabalho da babá.

Se a jornada for parcial (até 25 horas por semana), registre isso no contrato. O salário pode ser proporcional às horas.

4. Salário e forma de pagamento

Valor bruto mensal (nunca inferior ao salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026 ou ao piso regional do seu estado), data de pagamento (até o 5º dia útil do mês seguinte) e forma: transferência bancária, PIX ou espécie. Se pagar em espécie, a babá assina recibo todo mês — sem recibo, pagamento sem prova.

5. Data de início e tipo de contrato

Dia exato em que a relação de emprego começa. Se o contrato for de experiência (prazo determinado de até 90 dias), isso precisa estar explícito. Se for por prazo indeterminado, registre também. A omissão faz o contrato ser considerado por prazo indeterminado automaticamente.

6. Período de experiência

Cláusula separada, com data de início e data de término do período. Duração máxima: 90 dias. Pode ser dividido em dois períodos (por exemplo, 45 + 45 dias), com prorrogação única. Se o primeiro período for de 30 dias, a prorrogação pode ser de até 60 — o total não pode passar de 90. Sem essa cláusula, não existe experiência: o contrato já nasce como prazo indeterminado.

7. Benefícios

Vale-transporte (se a babá usa transporte público — desconto de até 6% do salário), alimentação no local (se fornecida), e qualquer outro benefício acordado. O vale-transporte é obrigatório quando solicitado pela empregada.

8. Local de trabalho

Endereço onde o serviço será prestado. Se a família tem duas residências (apartamento e casa de praia, por exemplo), registre o endereço principal e a possibilidade de deslocamento eventual.

Infográfico com as 8 cláusulas obrigatórias do contrato de trabalho da babá: partes, função, jornada, salário, data início, experiência, benefícios e local
As 8 cláusulas que todo contrato de babá precisa ter — faltou uma, sobrou problema

Cláusulas opcionais (mas recomendadas)

Além das obrigatórias, algumas cláusulas extras protegem a família e evitam conflitos:

Câmeras de monitoramento — Se a casa tem câmeras, a babá precisa saber. Inclua uma cláusula informando a existência de monitoramento por vídeo nos ambientes comuns (sala, cozinha, quintal). Câmeras em banheiro, quarto da babá ou vestiário são proibidas. A babá assina ciência, não autorização — a lei permite câmeras em áreas comuns, desde que a empregada seja informada. Leia mais sobre câmera e babá: o que é legal.

Confidencialidade — A babá tem acesso à rotina, finanças e intimidade da família. Uma cláusula de confidencialidade proíbe compartilhar informações pessoais da família com terceiros. Não tem força penal, mas serve como prova de que a expectativa foi comunicada.

Tarefas adicionais e limites — Se a babá deve preparar refeições da criança, fazer compras de mercado ou levar ao médico, liste essas tarefas. Tudo que não está descrito pode virar alegação de acúmulo de função.

Regras da casa — Horário de tela da criança, restrições alimentares, rotina de sono, autorização para passeios. Pode ser um anexo ao contrato. Não tem força legal direta, mas documenta as instruções e evita o argumento de que “ninguém me disse”.

Autorização para saída com a criança — Se a babá pode levar a criança ao parque, escola ou médico, registre por escrito. Isso protege a babá em caso de questionamento por terceiros.

Período de experiência: como funciona

O contrato de experiência da babá segue as regras dos arts. 445, §único (limite de 90 dias) e 451 (prorrogação única) da CLT, aplicadas ao trabalho doméstico pela LC 150/2015. Funciona assim:

  • Duração máxima: 90 dias corridos
  • Prorrogação: 1 única vez, desde que o total não passe de 90 dias
  • Formato comum: 45 dias + 45 dias (mais usado) ou 30 + 60 dias
  • Registro: deve constar no contrato E no eSocial (campo “tipo de contrato” na admissão)

Se o período de experiência terminar e a babá continuar trabalhando, o contrato vira automaticamente por prazo indeterminado. Não precisa assinar nada novo — a continuidade do trabalho converte o contrato.

Rescisão durante a experiência: se a família decidir encerrar antes do prazo, paga 50% do que seria devido até o final do período. Se a babá pedir demissão antes do prazo, ela paga 50% ao empregador (na prática, desconta das verbas rescisórias). Use a calculadora de rescisão para simular os valores.

O que acontece sem contrato escrito

O vínculo empregatício existe independentemente de documento assinado. A CLT reconhece o contrato tácito — se a babá trabalha na sua casa 3 ou mais dias por semana, com subordinação, pessoalidade e remuneração, o vínculo está formado. Ponto.

Sem contrato escrito, os riscos são:

  1. Condições em disputa: salário combinado, horário, função — tudo vira “palavra contra palavra”
  2. Ônus da prova para o empregador: na Justiça do Trabalho, a ausência de documentação pesa contra quem deveria ter providenciado
  3. Multa por falta de registro: R$ 3.000 por empregado não registrado (CLT, art. 47, Lei 13.467/2017)
  4. Verbas retroativas: FGTS, INSS, férias, 13º — tudo que não foi pago pode ser cobrado retroativamente (últimos 5 anos)

O contrato escrito não substitui o registro no eSocial. São duas coisas diferentes. O contrato documenta os termos entre vocês. O eSocial comunica o vínculo ao governo e gera a DAE mensal com os encargos. Ambos são necessários.

Comparação de cenários: babá com contrato escrito versus sem contrato — riscos e custos em cada caso
Com contrato: R$ 0 de custo extra e proteção jurídica. Sem contrato: até R$ 30 mil em processo trabalhista

Como registrar no eSocial e na CTPS Digital

O contrato de trabalho e o registro no eSocial são complementares. Veja a sequência correta:

Passo 1 — Assinar o contrato: antes do primeiro dia de trabalho. Duas vias, uma para cada parte. Testemunhas são recomendadas, mas não obrigatórias.

Passo 2 — Cadastrar no eSocial: acesse esocial.gov.br com sua conta gov.br. Vá em “Empregado > Admissão” e preencha os dados do contrato: função (Babá, CBO 5162-05), salário, jornada, data de admissão, tipo de contrato (experiência ou indeterminado). O cadastro deve ser feito até o dia anterior ao primeiro dia de trabalho.

Passo 3 — CTPS Digital atualizada automaticamente: quando você envia o evento de admissão no eSocial, a informação aparece automaticamente na CTPS Digital da babá. Não existe mais “assinar carteira” em papel. O registro no eSocial É o registro formal.

O guia completo de cadastro está em como cadastrar babá no eSocial.

Precisa reconhecer firma em cartório?

Não. Nenhuma legislação trabalhista exige reconhecimento de firma para contrato de trabalho doméstico. O contrato com assinatura simples de ambas as partes já tem validade jurídica plena.

Se quiser segurança extra, pode reconhecer firma em cartório — o custo é de R$ 15 a R$ 30 por assinatura. Também pode pedir que duas testemunhas assinem. Mas nenhuma dessas medidas é obrigatória.

Os 7 erros mais comuns no contrato da babá

Estes são os problemas que mais aparecem em reclamações trabalhistas envolvendo contrato de babá:

1. Função genérica — “Babá e doméstica” ou “serviços gerais” no contrato. Se a babá processa por acúmulo de função, o contrato genérico confirma a alegação dela.

2. Jornada sem horários — Escrever “horário comercial” ou “a combinar” em vez de “segunda a sexta, das 8h às 17h, com 1h de almoço”. Sem horário definido, a babá pode alegar que trabalhava 10 horas por dia.

3. Esquecer o período de experiência — Se não estiver no contrato e no eSocial, não existe. O contrato já nasce como prazo indeterminado, e demitir nos primeiros 90 dias custa o mesmo que demitir no segundo ano.

4. Não especificar o salário bruto — Registrar só o “líquido” ou o “combinado” gera confusão na hora de calcular encargos, FGTS e INSS.

5. Contrato assinado depois do início — A admissão no eSocial deve ser feita antes do primeiro dia de trabalho. Contrato assinado semanas depois levanta dúvida sobre as condições iniciais reais.

6. Não atualizar após mudanças — Aumento de salário, mudança de jornada, inclusão de nova função: tudo que muda precisa de aditivo contratual assinado. No eSocial, a alteração contratual também deve ser registrada.

7. Confiar no contrato e esquecer o eSocial — O contrato protege em caso de disputa. Mas sem o eSocial, a babá não tem FGTS, não tem INSS, não tem nada. A multa por falta de registro no eSocial pode chegar a R$ 3.000.

Modelo de contrato de trabalho para babá

Abaixo, um modelo com as cláusulas essenciais. Copie, adapte os dados e imprima duas vias.


CONTRATO DE TRABALHO DOMÉSTICO — BABÁ

EMPREGADOR(A): [Nome completo], CPF [xxx.xxx.xxx-xx], residente em [endereço completo com CEP]

EMPREGADA: [Nome completo], CPF [xxx.xxx.xxx-xx], RG [xx.xxx.xxx-x], residente em [endereço completo com CEP]

CLÁUSULA 1ª — FUNÇÃO A empregada é contratada para exercer a função de Babá (CBO 5162-05), cuidando de [nome(s) da(s) criança(s)], com as seguintes atribuições: cuidar da higiene, alimentação, segurança e bem-estar da(s) criança(s); acompanhar atividades recreativas e educativas; preparar refeições da(s) criança(s); organizar o quarto e pertences da(s) criança(s).

CLÁUSULA 2ª — LOCAL DE TRABALHO O serviço será prestado na residência do empregador, no endereço acima indicado.

CLÁUSULA 3ª — JORNADA DE TRABALHO A jornada será de [segunda a sexta-feira], das [08h00] às [17h00], com intervalo de [1 hora] para refeição, totalizando [40] horas semanais. O dia de descanso semanal remunerado será preferencialmente aos [domingos].

CLÁUSULA 4ª — REMUNERAÇÃO O salário mensal bruto será de R$ [valor], pago até o 5º dia útil do mês seguinte ao trabalhado, por [transferência bancária/PIX para a conta indicada pela empregada].

CLÁUSULA 5ª — VALE-TRANSPORTE [Opção A: A empregada solicitou vale-transporte, sendo descontado até 6% do salário base conforme lei.] [Opção B: A empregada declarou não necessitar de vale-transporte, conforme termo em anexo.]

CLÁUSULA 6ª — PERÍODO DE EXPERIÊNCIA O presente contrato terá período de experiência de [45] dias, podendo ser prorrogado por igual período, totalizando no máximo 90 dias, conforme art. 445, §único c/c art. 451 da CLT e LC 150/2015. Findo o período de experiência sem manifestação de qualquer das partes, o contrato passará a vigorar por prazo indeterminado.

CLÁUSULA 7ª — DATA DE INÍCIO O contrato de trabalho terá início em [dd/mm/aaaa].

CLÁUSULA 8ª — DISPOSIÇÕES GERAIS O presente contrato é regido pela Lei Complementar nº 150/2015 e pela Consolidação das Leis do Trabalho, no que couber. Os casos omissos serão resolvidos à luz da legislação trabalhista vigente.

Local e data: [Cidade], [dd] de [mês] de [aaaa].

_________________________________________ Empregador(a)

_________________________________________ Empregada (Babá)

Testemunhas (opcional):

_________________________________________ Nome: / CPF:

_________________________________________ Nome: / CPF:


Adapte o modelo à sua situação. Se precisar incluir cláusulas sobre câmeras, confidencialidade ou tarefas adicionais, adicione como cláusulas 9ª, 10ª e assim por diante. O modelo não substitui orientação jurídica — se o caso for complexo (duas babás em escala, jornada 12x36, babá que dorme no emprego), consulte um advogado trabalhista.

Checklist: contrato + eSocial

Use esta lista para não esquecer nenhuma etapa:

  • Contrato escrito assinado por ambas as partes (duas vias)
  • Função específica (Babá, CBO 5162-05)
  • Jornada com horários e dias definidos
  • Salário bruto e forma de pagamento
  • Período de experiência com datas
  • Cadastro no eSocial até o dia anterior ao início
  • Declaração de vale-transporte assinada
  • Primeira DAE paga até o dia 7 do mês seguinte

Contrato pronto? O próximo passo é cadastrar a babá no eSocial e começar a rotina mensal de fechamento de folha e pagamento da DAE. Calcule o custo total com a calculadora de custo CLT para ter clareza sobre quanto vai sair do seu bolso todo mês.

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