Pular para o conteúdo
Babá Certa
Baixar o app
Contratação 13 min de leitura

Como verificar referências da babá: roteiro de ligação, red flags e o que a LGPD permite perguntar ao ex-empregador

Como verificar referências da babá em 2026: roteiro com 10 perguntas, sinais de fraude e cuidados com LGPD.

Atualizado em
CF

Cynthia Freitas

Fundadora da Babá Certa · Mãe e empreendedora

Mãe brasileira falando ao telefone e anotando informações em bloco de notas na mesa da cozinha, verificando referências de candidata a babá
Uma ligação de 10 minutos para o ex-empregador revela mais do que três entrevistas presenciais

Resposta rápida

Para verificar referências de babá, ligue para no mínimo 2 ex-empregadores (ideal 3) depois da entrevista e antes da decisão final, reservando pelo menos 10 minutos por ligação. Com 76% das domésticas brasileiras na informalidade (PNAD Contínua, IBGE 2024), a ligação costuma ser a única forma de confirmar a experiência relatada. Carta de referência é fácil de falsificar — aceite como complemento, nunca como única verificação.

Uma família de Belo Horizonte contratou uma babá que chegou com duas cartas de referência impecáveis. Na entrevista, a candidata falou em 5 anos de experiência com recém-nascidos. Na segunda semana, a mãe notou que a babá não sabia preparar uma mamadeira direito e passava o tempo no celular enquanto o bebê dormia. Quando enfim ligou pros números das referências, descobriu que um era o celular da irmã da própria candidata. O outro não existia.

Essa história se repete em milhares de casas brasileiras. A entrevista filtra candidatas pelo que elas contam de si mesmas; a checagem de referências filtra pelo que os outros contam delas. E essas duas versões quase nunca batem por completo.

Este guia percorre o processo inteiro: quando ligar, o que perguntar, como reconhecer uma referência falsa e o que a LGPD permite — e proíbe — durante a verificação.

Por que referências importam mais do que a entrevista

A entrevista mostra a melhor versão da candidata. Ninguém senta pra uma conversa de emprego admitindo que faltava às segundas-feiras ou que vivia discutindo com a patroa. As referências mostram a versão do dia a dia: a pontualidade de verdade, o jeito de lidar com birra quando ninguém está olhando, se ela cumpre horário ou empurra tarefa.

O Senado Federal recomenda fazer a verificação de referências entre a primeira entrevista e a decisão final de contratação. A psicóloga Fernanda Roche, citada no guia do Senado, alerta que existe “muita sofisticação na falsificação de registros, endereços e referências” no mercado de trabalho doméstico.

Com 76% das empregadas domésticas no Brasil trabalhando na informalidade (PNAD Contínua, IBGE 2024), boa parte das candidatas a babá não tem carteira assinada dos empregos anteriores. A ligação vira, na prática, a única forma de confirmar que a experiência relatada existiu — e por isso pesa ainda mais.

Quantas referências pedir e quando ligar

Peça no mínimo 2 referências de empregadores anteriores. O ideal são 3: se uma não atender, você ainda tem duas pra comparar. Referência de familiar ou amigo não conta. Você precisa de alguém que viu a candidata trabalhando dentro de casa, cuidando de criança, cumprindo horário.

Quando pedir: no fim da primeira entrevista. Algo como “Gostei da conversa. Pra dar sequência, vou precisar de 2 ou 3 contatos de famílias onde você trabalhou antes.” Candidata séria já espera essa pergunta.

Quando ligar: depois da entrevista presencial e antes da decisão final. Nunca na frente da candidata — a conversa com o ex-empregador precisa ser livre. Reserve pelo menos 10 minutos por ligação.

Para quem ligar: sempre pra quem contratou, a mãe ou o pai. Colega e vizinho não servem. Se a candidata oferecer o número de uma “amiga que é vizinha do antigo patrão”, desconfie.

Roteiro de ligação: 10 perguntas para o ex-empregador

A maioria das famílias liga, pergunta “ela era boa?”, recebe um “sim” e desliga satisfeita. Isso não filtra nada: pergunta genérica gera resposta genérica.

O roteiro abaixo usa perguntas abertas, que obrigam a referência a contar histórias em vez de só confirmar ou negar. Quem inventa tropeça no detalhe.

Infográfico com roteiro de 10 perguntas para verificar referências da babá por telefone, organizadas em 4 categorias: confirmação, rotina, comportamento e encerramento
Roteiro de checagem de referências: 10 perguntas que revelam mais do que qualquer carta de recomendação

Confirmação básica (perguntas 1-3)

1. “A [nome] trabalhou na sua casa? De quando a quando?”

Compare as datas com o que a candidata informou. Divergência de meses é normal — ninguém lembra a data exata. Divergência de anos é red flag.

2. “Qual era a função dela e quantas crianças ela cuidava?”

Se a candidata contou que cuidava de gêmeos de 2 anos e a referência diz “ela fazia faxina e de vez em quando ficava com a criança”, a experiência da entrevista foi inflada.

3. “Ela trabalhava quantos dias por semana e em qual horário?”

A resposta confirma se o vínculo era CLT (3+ dias) ou diarista. E revela se ela já viveu a jornada que você precisa.

Rotina e habilidades (perguntas 4-6)

4. “Como era um dia típico dela com as crianças?”

Referência real descreve o dia com detalhe: “ela chegava às 7h, dava café pro Lucas, levava ele pro parquinho às 9h”. Referência falsa fica no vago: “ela cuidava bem”.

5. “Ela cozinhava para as crianças? Fazia atividades ou brincadeiras?”

Se cozinhar e estimular as crianças pesam pra você, é aqui que aparece o escopo real do trabalho anterior. Na entrevista, muita babá “faz de tudo”; na prática, algumas só supervisionavam a criança na TV.

6. “Ela faltou ou se atrasou com frequência?”

Pontualidade é o dado mais confiável que uma referência tem pra oferecer. Pergunte sem rodeio — a maioria dos ex-empregadores responde com franqueza, porque sabe o quanto uma falta bagunça a rotina.

Comportamento e confiança (perguntas 7-9)

7. “Aconteceu alguma emergência com a criança enquanto ela cuidava? Como ela reagiu?”

É a pergunta que revela preparo de verdade. Se a referência descreve uma febre, uma queda ou um engasgo e conta como a babá agiu, você sabe que ela tem experiência prática. E se nunca aconteceu nada, o “nunca teve problema” também informa: o ambiente era tranquilo, só que você segue sem saber como ela reage sob pressão.

8. “Vocês tiveram algum desentendimento? Sobre o quê?”

Ninguém convive meses sem atrito. Se a referência jura que nunca houve problema algum, ou é leal demais à candidata, ou a relação foi curta demais pra ter conflito. Resposta honesta menciona algo pequeno: “ela não gostava de passar roupa, mas combinamos que não era função dela”. Isso é saudável.

9. “Você deixaria seus filhos com ela de novo?”

A pergunta-chave. A resposta vem carregada no tom de voz: um “sim, com certeza!” entusiasmado é uma coisa; um “sim…” seguido de silêncio é outra. Preste atenção no que não é dito.

Encerramento (pergunta 10)

10. “Por que ela saiu? Você a recontrataria?”

Motivos comuns e legítimos: a criança entrou na escola, a família mudou de cidade, a mãe parou de trabalhar. Motivos que acendem alerta: “não sei por que ela saiu” — pode ser uma demissão por justa causa que a referência prefere não detalhar — ou “preferiu outro emprego que pagava mais”, que pode indicar que salário fala mais alto que estabilidade.

Como identificar referências falsas

Referência fabricada existe, e é mais comum do que parece. A candidata passa o número de uma amiga, de uma parente ou até de outra babá combinada pra elogiar. Pegar a fraude é questão de reconhecer os padrões.

Sinais de referência falsa:

A pessoa atende na primeira chamada e parece estar esperando a ligação. Referência real costuma estranhar o contato: “quem? ah, a Márcia, sim, ela trabalhou aqui”.

As respostas são genéricas demais. “Era ótima, muito responsável, recomendo” — e nenhum detalhe concreto. Ex-empregador de verdade lembra o nome das crianças, a rotina, alguma cena específica.

A referência não sabe informações básicas da própria casa. Pergunte quantos filhos tem, a idade deles, em que bairro moram. Se a “referência” hesita em dados da própria família, tem coisa errada.

Dois números de referência com o mesmo DDD e prefixo que o celular da candidata. Coincidência possível, mas improvável se ela diz que trabalhou em famílias diferentes, em épocas diferentes.

A referência só elogia. Ninguém é perfeita. Um ex-empregador genuíno cita pelo menos um ponto de melhoria: “ela era ótima com as crianças, mas não era muito organizada com a cozinha”. Referência fabricada só fala coisa boa.

Como confirmar: peça pra candidata levar a CTPS com os registros anteriores. Cruze os nomes e datas do registro com os nomes e datas que as referências informam. Se não bater, pergunte.

Red flags durante a checagem de referências

Nem toda red flag condena a candidata. Mas cada uma pede uma atenção a mais antes da decisão.

Checklist visual de red flags durante a verificação de referências da babá, com 8 sinais de alerta organizados por gravidade: alta, média e observação
Checklist de red flags: sinais que merecem atenção na checagem de referências da babá

Gravidade alta — reconsidere a contratação

  • Referências não confirmam o período informado pela candidata (diferença de mais de 1 ano)
  • Ex-empregador se recusa a responder perguntas sobre confiança ou recontratação
  • Candidata diz que a referência “não vai atender” ou inventa justificativa para você não ligar
  • Informações contraditórias entre o que a candidata contou e o que a referência relata (número de crianças, função, motivo da saída)

Gravidade média — investigue mais

  • Referência menciona faltas frequentes ou atrasos recorrentes
  • A candidata saiu por conflito com a família anterior (peça detalhes — pode ser justo ou não)
  • Referência elogia mas não recontrataria (pergunte o motivo)

Ponto de observação

  • Tempo curto nos empregos anteriores (menos de 6 meses em todos). Pode indicar dificuldade de adaptação — ou pode ser que a candidata só encontrou empregos temporários
  • Referências só de trabalho informal, sem registro em CTPS. Não é red flag por si só — 76% das domésticas trabalham na informalidade — mas reforça a importância de registrar desde o primeiro dia no eSocial

Babá sem referências: primeiro emprego ou trabalho informal

Nem toda candidata sem referências está mentindo. Muita babá começa cuidando dos próprios filhos, de sobrinhos, das crianças da vizinha, antes de procurar emprego formal. Outras passaram anos em casas que pagavam “por fora” — e esses ex-empregadores não querem ser contatados, com medo de ação trabalhista retroativa.

Se a candidata não tem referências profissionais, avalie por outros caminhos:

Referências comunitárias: a líder da igreja, a diretora da escola dos filhos, a coordenadora da creche comunitária. Não substituem um ex-empregador, mas dizem algo sobre caráter e responsabilidade no dia a dia.

Contrato de experiência: a LC 150/2015 permite contrato de experiência de até 45 dias, renovável por mais 45. Use esses 90 dias pra ver na prática o que as referências não puderam confirmar. Calcule o custo total com a calculadora de custo CLT.

Cursos e certificações: babá que investiu em curso de primeiros socorros infantil, cuidador de crianças ou berçarista demonstra comprometimento. Peça o certificado — é mais fácil de conferir do que uma referência verbal.

Período de adaptação supervisionado: combine uma ou duas semanas em que você (ou alguém de confiança) fica em casa enquanto a babá trabalha. Observe como ela interage com a criança, se toma iniciativa, se segue suas orientações.

Pra candidata em primeiro emprego, o contrato de experiência é o seu melhor aliado. E registre desde o primeiro dia no eSocial — é obrigatório e protege os dois lados.

Carta de referência vs ligação telefônica

A carta de referência — aquele documento assinado pelo ex-empregador — é tradição no trabalho doméstico brasileiro. Nenhuma lei exige, mas muitas candidatas apresentam como prova de bom desempenho.

O problema é que a carta é estática. Foi escrita num momento específico, com frases de sempre (“sempre pontual, responsável e zelosa”), e não responde pergunta nenhuma. E é fácil de falsificar: qualquer pessoa com uma impressora produz uma carta convincente.

A ligação faz o que a carta não consegue. Permite emendar perguntas, carrega o tom de voz, deixa cruzar informações. Quando o ex-empregador hesita antes de responder “ela era confiável?”, você ouve a hesitação. No papel, esse momento não existe.

AspectoCarta de referênciaLigação telefônica
ProfundidadeSuperficial (3 parágrafos padronizados)Detalhada (10+ minutos de conversa)
VerificaçãoDifícil (pode ser falsificada)Fácil (você fala direto com a pessoa)
Tom de vozAusenteRevela hesitações e entusiasmo
Follow-upImpossívelImediato (“pode me contar mais?”)
Validade jurídicaNenhuma (não é documento trabalhista)Nenhuma
Quando usarComo complemento, nunca como única verificaçãoSempre — é o método principal

Recomendação: aceite a carta como ponto de partida, mas ligue sempre. Se a candidata só apresenta a carta e “não tem mais o contato” do ex-empregador, trate como red flag média.

LGPD e antecedentes: o que você pode e não pode pedir

A LGPD (Lei 13.709/2018) regula o tratamento de dados pessoais no Brasil e se aplica — com nuances — à relação entre o empregador doméstico e a candidata.

O que você PODE fazer

Pedir referências de empregos anteriores: a base legal é o legítimo interesse (art. 7, IX da LGPD) combinado com a execução de procedimentos preliminares ao contrato (art. 7, V). Verificar referências é prática comum de contratação, e a candidata sabe disso quando entrega os contatos.

Solicitar certidão de antecedentes criminais: o TST definiu no Tema Repetitivo nº 1 que a exigência é legítima para babás e cuidadores de menores, dada a natureza da atividade e o grau especial de confiança. A certidão é emitida gratuitamente pela Polícia Federal e pela Polícia Civil estadual.

Verificar dados da CTPS: conferir registros anteriores, datas de admissão e demissão, função registrada. A CTPS Digital facilita — a própria candidata mostra o histórico no app.

O que você NÃO pode fazer

Perguntar sobre gravidez, estado de saúde ou orientação sexual: nenhuma dessas informações é relevante para a função, e perguntar configura discriminação.

Exigir teste de gravidez: expressamente proibido pela CLT (art. 373-A, IV) e pela Lei 9.029/1995. A penalidade inclui detenção de 1 a 2 anos e multa de 10 vezes o maior salário pago pelo empregador por violação.

Consultar SPC/Serasa da candidata: checagem creditícia sem autorização expressa e sem justificativa funcional viola a LGPD. Babá não manuseia dinheiro de empresa — o histórico financeiro dela é irrelevante.

Compartilhar dados da candidata com terceiros: o que você ouviu das referências fica com você. Não passe adiante para outros empregadores sem consentimento.

Boas práticas de conformidade

Avise a candidata de que você vai ligar para as referências — ela já espera isso, mas o aviso formal demonstra transparência. Anote só o que pesa na decisão de contratação. E, decidida a vaga (contratou ou não), descarte as anotações sobre as candidatas não selecionadas.

Perguntas frequentes

Quantas referências devo checar antes de contratar a babá?

Mínimo 2, ideal 3. Se a candidata apresentar apenas 1 referência, peça pelo menos mais uma. Com uma versão só, você não tem com o que comparar — nem como flagrar inconsistência.

Posso pedir certidão de antecedentes criminais da babá?

Sim. O TST decidiu que a exigência é legítima para cuidadores de menores, dado o grau especial de confiança que a função exige. A certidão é gratuita e pode ser emitida pelo site da Polícia Federal ou da Polícia Civil do estado.

E se a babá tiver experiência mas nenhuma referência formal?

Use as alternativas: referências comunitárias, certificados de cursos e, principalmente, o contrato de experiência de até 90 dias. Esse período permite avaliar na prática o que nenhuma referência substitui — a convivência real dentro da sua casa.

A babá pode se recusar a fornecer referências?

Pode. Mas candidata experiente e confiante não tem motivo pra recusar. Se a recusa vier embrulhada em desculpas elaboradas (“perdi o número”, “eles mudaram”, “não tenho mais contato”), considere red flag e avalie se quer prosseguir.

Referência de agência de babás substitui a verificação pessoal?

Agência séria faz triagem, mas a profundidade varia muito: algumas ligam para as referências, outras só conferem documentos. Mesmo que a agência tenha verificado, ligue você também — quem vai conviver todo dia com a babá enxerga o que quem avalia currículo não vê.

referências babáverificar referências babácomo checar referênciasreferências empregada domésticacarta de referência babácontratar babá

Perguntas frequentes

Quantas referências pedir e para quem ligar?

No mínimo 2 e idealmente 3, sempre de ex-empregadores — referências de familiares e amigos não contam. Ligue depois da entrevista presencial, nunca na frente da candidata, e reserve pelo menos 10 minutos por ligação.

Como descobrir se a referência da babá é falsa?

Desconfie quando a pessoa parece estar esperando a ligação, dá respostas genéricas sem nenhum detalhe, não sabe informações básicas sobre a própria casa ou só elogia sem citar um ponto de melhoria. Dois números com o mesmo DDD e prefixo do celular da candidata também são sinal de alerta.

Carta de referência da babá é suficiente?

Não — a carta é estática, padronizada e fácil de falsificar; qualquer pessoa com uma impressora cria uma convincente. Aceite como ponto de partida, mas sempre ligue para o ex-empregador; se a candidata só tem a carta e 'perdeu o contato', trate como red flag.

Posso exigir certidão de antecedentes criminais da babá?

Sim. O TST definiu no Tema Repetitivo nº 1 que a exigência é legítima para babás e cuidadores de menores, dado o grau especial de confiança da função. A certidão é gratuita, emitida pela Polícia Federal e pela Polícia Civil estadual.

O que a LGPD proíbe na checagem da candidata a babá?

Perguntar sobre gravidez, estado de saúde ou orientação sexual, exigir teste de gravidez (proibido pela CLT e pela Lei 9.029/1995), consultar SPC/Serasa sem justificativa funcional e compartilhar os dados da candidata com terceiros sem consentimento.

Continue lendo

A babá certa está no app.

Você leu por aqui; quando quiser, é só criar a vaga de graça e falar com quem já confirmou quem é.