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Babá Certa
Contratação 8 min de leitura

Como verificar referências da babá: o que perguntar e como conferir as respostas antes de contratar

Roteiro com 10 perguntas para verificar referências da babá, esclarecer divergências e cuidar da privacidade durante a contratação.

Atualizado em
CF

Cynthia Freitas

Fundadora da Babá Certa · Graduada em Psicologia

Mãe brasileira falando ao telefone e anotando informações em bloco de notas na mesa da cozinha, verificando referências de candidata a babá
Uma conversa sobre a rotina anterior ajuda a conferir a experiência e a fazer perguntas mais precisas antes da contratação

Resposta rápida

Peça contatos de quem acompanhou o trabalho da babá, avise que pretende ligar e confirme período, tarefas, rotina e motivo da saída. Se houver duas referências disponíveis, compare os relatos. Use perguntas concretas e esclareça divergências com a candidata. Cartas e ligações complementam a entrevista; nenhuma delas garante, sozinha, a qualidade do cuidado.

Na entrevista, a candidata conta que cuidou de um bebê desde os primeiros meses. A referência pode ajudar a entender como era esse trabalho: quantos dias por semana, quais tarefas fazia, quem estava por perto e por que a relação terminou.

Essa conversa dá contexto ao currículo. Pra ser útil, precisa ir além de “ela era boa?”. Perguntas sobre situações concretas ajudam a família a conferir a experiência e a saber o que ainda precisa conversar com a babá.

Peça os contatos depois da entrevista, avise que pretende ligar e procure falar com quem acompanhou o trabalho. Anote as respostas sem transformar impressões em fatos. A decisão final continua sendo sua.

Por que conferir referências antes de contratar

Uma orientação publicada pelo Senado Federal inclui a checagem de referências entre os cuidados da contratação. Ela ajuda a comparar a experiência relatada com o dia a dia vivido em outra casa.

A referência também tem um ponto de vista. Pode lembrar melhor de alguns episódios, ter expectativas diferentes das suas ou trazer a insatisfação de uma relação que terminou mal. Por isso, peça exemplos e ouça a candidata quando houver divergências.

Use a conversa junto com a entrevista, a conferência de documentos e a observação do cuidado nos primeiros encontros. Cada etapa responde a perguntas diferentes.

Quantas referências pedir e quando ligar

Se a candidata tiver experiência anterior, tente conversar com duas famílias. É uma sugestão prática pra comparar relatos, sem excluir quem teve um único emprego longo ou está começando.

Peça nome, contato e a relação da pessoa com o trabalho realizado. Confirme com a candidata que você pode procurá-la e sugira que avise a referência. Uma pessoa esperando sua ligação pode simplesmente ter sido avisada, como deveria.

Na chamada, apresente-se, explique o motivo e pergunte se aquele é um bom momento. Não peça informações particulares da antiga família que sejam desnecessárias pra entender o trabalho. Você precisa conhecer a experiência da babá, preservando a privacidade de todos.

Roteiro de ligação: 10 perguntas para o ex-empregador

Use as perguntas como apoio. A conversa pode seguir a ordem que fizer sentido, com tempo pra pessoa explicar as respostas.

Confirmação básica

1. “A [nome] trabalhou na sua casa? De quando a quando?”

Compare o período com o currículo. Uma diferença de datas merece esclarecimento. A pessoa pode não lembrar o mês exato; peça uma referência aproximada e volte ao assunto com a candidata se a divergência for relevante.

2. “Qual era a função dela e de quantas crianças cuidava?”

Pergunte também as idades na época. Isso ajuda a entender se ela já viveu uma rotina parecida com a da sua família e quais tarefas estavam sob sua responsabilidade.

3. “Ela trabalhava quantos dias por semana e em qual horário?”

Uma cobertura eventual, um turno noturno e uma jornada diária oferecem experiências diferentes. A resposta ajuda a dar dimensão ao trabalho anterior.

Rotina e habilidades

4. “Como era um dia típico dela com as crianças?”

Peça que a pessoa conte a sequência: chegada, alimentação, brincadeiras, sono, saída. Se a resposta vier genérica, faça uma pergunta mais específica, como “quem preparava o almoço da criança?”.

5. “Ela preparava a alimentação e propunha brincadeiras? Como vocês combinavam isso?”

A pergunta esclarece o que fazia parte do trabalho e como a família dava orientações. Compare com as tarefas que você pretende oferecer, sem pressupor que toda casa organiza o cuidado do mesmo jeito.

6. “Como funcionavam os horários e os avisos quando havia um imprevisto?”

Procure entender a comunicação. Se houver relato de atrasos ou faltas, pergunte a frequência e como foram tratados. Um episódio isolado precisa ser distinguido de uma dificuldade recorrente.

Comunicação e cuidado

7. “Aconteceu alguma emergência com a criança? Como ela reagiu?”

Se a pessoa presenciou uma situação, peça que conte o que aconteceu e quais providências foram tomadas. Se nunca houve uma emergência, a resposta não permite concluir como a profissional agiria. Na entrevista, converse também sobre formação em primeiros socorros.

8. “Vocês tiveram alguma dificuldade ou discordância? Como resolveram?”

A resposta pode mostrar como combinavam tarefas e conversavam sobre problemas. Não ter um conflito a relatar não torna a referência suspeita. O que importa é entender os fatos que ela consegue descrever.

9. “O que funcionava especialmente bem no cuidado? Havia algo que exigia mais orientação?”

Essa pergunta abre espaço pra falar de habilidades e de pontos que precisavam de acompanhamento. Relacione as respostas às necessidades da sua criança.

Encerramento

10. “Por que o trabalho terminou? Você a contrataria novamente?”

Mudança de cidade, entrada na escola e busca por remuneração melhor são motivos possíveis. Pergunte o contexto, sem concluir algo pelo tom de voz ou por uma pausa na conversa. Se houver uma crítica importante, peça um exemplo concreto.

Roteiro de dez perguntas sobre o período de trabalho, as tarefas, a rotina, a comunicação e o encerramento da relação
Use as perguntas como apoio e esclareça divergências com a candidata.

Como conferir divergências nas referências

Depois das ligações, releia as anotações e separe o que foi confirmado, o que ficou sem resposta e o que divergiu da entrevista. Volte à candidata com perguntas diretas e respeitosas.

Por exemplo: “Você comentou que cuidava do bebê sozinha, mas a família disse que havia outro adulto em casa. Como era essa divisão?” A resposta pode esclarecer uma rotina que foi descrita de forma incompleta.

DDD igual, resposta breve, elogio entusiasmado ou hesitação não comprovam fraude. Nem uma conversa detalhada garante, sozinha, que a pessoa do outro lado seja quem diz ser. Quando houver dúvida sobre a identidade do contato, peça uma forma adicional de confirmar a relação profissional, sem solicitar documentos privados da antiga família indiscriminadamente.

Se uma informação relevante continuar sem confirmação, registre essa dúvida na sua avaliação. Você pode pedir outro contato ou adiar a decisão enquanto esclarece o que falta.

Babá sem referências: primeiro emprego ou trabalho informal

Uma candidata pode estar no primeiro emprego ou ter perdido contato com uma família anterior. Pergunte sobre o percurso e confira o que for possível: cursos realizados, experiências em instituições e atividades de cuidado acompanhadas por outras pessoas.

Quando houver experiência em creche ou escola, um contato profissional de quem acompanhou o trabalho pode ajudar, respeitando as regras da instituição. Uma referência pessoal tem alcance diferente: ela pode falar da convivência, mas não confirmar um trabalho que não presenciou.

Se houver um encontro de trabalho pra conhecer a rotina, combine tarefas, duração e remuneração. Mantenha um responsável por perto enquanto avalia o cuidado e organiza a adaptação.

Na contratação com vínculo doméstico, o contrato de experiência pode durar até 90 dias, com uma prorrogação dentro desse limite, conforme os artigos 4º e 5º da Lei Complementar 150. Ele exige registro e direitos desde o início; não é um período de trabalho informal.

Carta de referência e ligação: como usar as duas

A carta ajuda a identificar quem recomenda a profissional, o período de trabalho e a função exercida. Confira se há data e contato e pergunte à candidata se você pode conversar com a pessoa que assina.

A ligação permite esclarecer o que o documento não conta. Peça exemplos e confirme as informações principais. Guarde apenas o necessário pra decisão, com acesso restrito a quem participa da contratação.

Se o contato estiver desatualizado, pergunte se há outra forma de confirmar a experiência. Perder um número ao longo dos anos acontece; a ausência de contato deve ser tratada como uma informação que falta, sem virar acusação.

Antecedentes e privacidade na contratação

O Tribunal Superior do Trabalho reconhece a legitimidade da exigência de certidão de antecedentes em funções como trabalho doméstico e cuidado de menores, em razão da natureza do trabalho e da confiança exigida. Isso não autoriza uma coleta indiscriminada de informações sobre a vida da candidata.

A consulta federal não substitui a busca estadual. Cada documento tem alcance próprio, e seu resultado precisa ser lido com esse contexto. O guia de antecedentes criminais da babá explica essa diferença.

Na conversa com referências, mantenha o foco no trabalho. Não procure informações sobre religião ou planos de gravidez. A Lei 9.029 proíbe práticas discriminatórias no acesso ao emprego e a exigência de teste de gravidez.

Também não encaminhe documentos e relatos da candidata pra grupos de mensagens. Diga por que pede cada informação e limite o acesso. A LGPD tem regras e exceções próprias, inclusive para o tratamento por pessoa física com fins exclusivamente particulares e não econômicos, no artigo 4º. Independentemente do enquadramento, a privacidade merece cuidado durante a seleção.

O que fazer depois das ligações

Compare o que ouviu com o trabalho que sua família precisa. Esclareça as divergências antes de decidir. Uma referência excelente numa rotina muito diferente da sua ainda pede uma conversa sobre as novas tarefas.

Se seguir com a contratação, passe os combinados pra frente: jornada, responsabilidades, remuneração e como vocês vão conversar sobre o dia. Conferir referências ajuda a começar conhecendo melhor a experiência da profissional. A convivência vai exigir atenção e diálogo depois disso também.

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Perguntas frequentes

Quantas referências pedir e para quem ligar?

Se houver experiência anterior, tente conversar com duas pessoas que acompanharam o trabalho. É uma sugestão prática, sem excluir quem teve um único emprego longo ou está começando. Avise a candidata antes de procurar os contatos.

Como conferir se uma referência é verdadeira?

Confirme período, tarefas e relação do contato com o trabalho. Esclareça divergências com a candidata e peça confirmação adicional quando necessário. DDD, tom de voz ou respostas curtas não comprovam fraude.

Carta de referência da babá é suficiente?

Use a carta como ponto de partida para conferir o período, a função e quem recomenda. A conversa permite esclarecer o que o documento não conta. Nenhuma etapa, sozinha, garante a qualidade do cuidado.

Posso pedir certidão de antecedentes criminais da babá?

O TST admite a exigência para funções como trabalho doméstico e cuidado de menores, pela natureza do trabalho e confiança exigida. A consulta federal não substitui a busca estadual; cada documento tem alcance próprio.

Que informações devo evitar na checagem?

Mantenha o foco no trabalho. Evite perguntas sobre religião ou planos de gravidez. Não compartilhe documentos e relatos em grupos de mensagens. A Lei 9.029 proíbe práticas discriminatórias no acesso ao emprego.

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