Pular para o conteúdo
Babá Certa
Segurança Infantil 11 min de leitura

Golpes em sites de babá: os cinco esquemas, o que a lei de 2026 mudou e o que fazer nas primeiras 24 horas

Taxa de cadastro, Pix adiantado, família fantasma, documento no WhatsApp: como os golpes em sites de babá funcionam, o que a Lei 15.397/2026 mudou e como agir.

Atualizado em
CF

Cynthia Freitas

Fundadora da Babá Certa · Graduada em Psicologia

Jovem mulher de cabelos cacheados na varanda de um apartamento, com a cidade ao fundo, franzindo a testa ao ler uma conversa no celular
O golpe vive do intervalo entre a mensagem e a verificação: nenhum Pix nem documento antes de saber quem está do outro lado

Resposta rápida

Os golpes em sites de babá seguem cinco roteiros: a vaga falsa que cobra taxa de cadastro, curso ou uniforme; a família fantasma que pede Pix de passagem; a babá fantasma que recebe adiantamento e some; o roubo de identidade com RG e selfie pelo WhatsApp; e o perfil montado com fotos alheias. Todos dependem de urgência e de dinheiro ou documento antes da verificação. A regra que desarma quase tudo: babá nunca paga por vaga, e ninguém adianta Pix nem envia documento a quem não confirmou quem é.

Os golpes em sites de babá não têm estatística própria, mas o pano de fundo tem: o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, o equivalente a 258 golpes por hora, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Desde 2018, o crescimento é de 429,8%. No mesmo período, 63.771 processos penais foram iniciados e 4.819 pessoas foram presas por estelionato. Mais de 97% dos golpes relatados não chegam ao Judiciário.

O mercado de babás reúne o que a Federação Brasileira de Bancos descreve no chamado golpe da falsa vaga de emprego: uma “vaga imperdível” e a troca precoce de documentos e dinheiro entre desconhecidos. Some-se a isso a pressa dos dois lados. A família precisa de babá para segunda-feira. A babá precisa de renda este mês. Os dois se encontram em grupos de WhatsApp e Facebook, em classificados e em plataformas que não confirmam quem é quem. É nesse intervalo, entre a mensagem e a verificação, que o golpe acontece.

Este texto descreve os cinco roteiros mais comuns, o que a lei de 2026 mudou e o que fazer nas primeiras 24 horas. Não há caso inventado: os dados vêm do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de alerta da Febraban republicado pela imprensa, de regra do Banco Central noticiada pela Agência Brasil e do Código Penal.

O que mudou na lei em 2026 para quem cai num golpe

Duas mudanças recentes alteram o cenário de quem cai num golpe.

A primeira é a Lei 15.397, de 30 de abril de 2026, que endureceu o Código Penal contra fraudes digitais. O estelionato comum (art. 171) segue com pena de um a cinco anos. A fraude eletrônica, prevista no §2º-A, já tinha pena de quatro a oito anos; a lei de 2026 ampliou a redação, que agora alcança expressamente o golpe que usa informações obtidas da vítima por redes sociais, telefone, e-mail fraudulento, “duplicação de dispositivo eletrônico ou aplicação de internet”. É nesse parágrafo que tende a se enquadrar o anúncio falso de vaga ou de família publicado em rede social ou aplicativo.

A lei criou ainda o crime de cessão de conta laranja: quem empresta a conta bancária que recebe o Pix do golpe responde pelas mesmas penas. E revogou o parágrafo que exigia representação da vítima para a ação penal.

A segunda é operacional e menor do que parece. A vítima que enviou um Pix tem até 80 dias, contados da transação, para pedir o Mecanismo Especial de Devolução, o MED. Desde 1º de setembro de 2026, por norma do Banco Central noticiada pela Agência Brasil, quem recebeu um Pix legítimo e teve o dinheiro devolvido por uma contestação fraudulenta também passou a ter 80 dias, e não mais 30, para contestar a devolução. O pedido é feito no app do banco, na própria transação do Pix, ou pelo atendimento da instituição, e o banco tem até sete dias para analisar. A devolução pode ser total ou parcial, dependendo do que ainda houver na conta de destino.

O contexto que essas regras tentam alcançar é grande. A pesquisa de vitimização do Fórum com o Datafolha, de 2025, estimou 24,1 milhões de vítimas de golpe por Pix ou boleto falso em 12 meses, 14,3% da população com 16 anos ou mais. O prejuízo somou R$ 28,8 bilhões, com perda média de R$ 1.198 por pessoa. Um em cada três brasileiros sofreu golpe digital com prejuízo.

Os cinco golpes em sites de babá mais comuns

1. A vaga que cobra da candidata

É a versão doméstica do golpe da falsa vaga de emprego. A “família” ou a “agência” anuncia salário atraente, responde rápido e, antes da entrevista, pede uma taxa de cadastro, um curso obrigatório, o uniforme, um “exame” ou um “seguro”. O alerta da Febraban, republicado pela imprensa em maio de 2026, descreve o mesmo roteiro com taxa de inscrição, “exame médico” e curso: os criminosos se passam por recrutadores, pedem pagamentos prévios e capturam fotos, imagens de documentos, dados bancários e assinaturas digitais. Em 2025, pesquisadores da ESET identificaram a versão com inteligência artificial: anúncios patrocinados em redes sociais levam a um WhatsApp em que as respostas são geradas automaticamente até o pedido de documentos e dados bancários.

A cobrança de taxa da trabalhadora é, ao mesmo tempo, indício de golpe e prática condenada quando vem de empresa real. Para empresas de trabalho temporário, a Lei 6.019/74 (art. 18) veda “cobrar do trabalhador qualquer importância, mesmo a título de mediação”. Para as demais não há lei federal específica, mas a Justiça do Trabalho já condenou a prática. Em agosto de 2025, a 5ª Turma do TRT da 4ª Região (Rio Grande do Sul), em ação civil pública do Ministério Público do Trabalho, proibiu uma empresa de seleção de cobrar taxas de candidatos. A multa é de R$ 10 mil por descumprimento. O que uma agência de babás séria cobra, cobra da família.

2. A família fantasma

O alvo é a babá. Um perfil de “família” combina a vaga, às vezes em outra cidade, e pede um Pix: a passagem para a entrevista, o “adiantamento” que será “descontado”, uma caução. Ou o contrário: envia um comprovante falso de adiantamento e pede a “devolução da diferença”. O que denuncia o roteiro é a inversão do fluxo. Família de verdade não recebe dinheiro da babá, em nenhuma etapa.

3. A babá fantasma

O alvo é a família. O perfil tem boas fotos, respostas rápidas e uma história plausível. Pede um adiantamento para “segurar a vaga”, para o transporte do primeiro dia ou para um curso que a família “vai precisar”. Depois some. Nenhuma regra devolve automaticamente o que foi adiantado a um desconhecido, e o MED só recupera o que ainda estiver na conta de destino. A conferência de referências por telefone e a entrevista por vídeo, antes de qualquer pagamento, cortam esse roteiro na raiz.

4. O documento no WhatsApp

É o golpe mais silencioso, e atinge os dois lados. A “família” pede à babá foto do RG, do CPF e uma selfie com o documento “para o cadastro”. A “babá” pede à família comprovante de endereço e documento “para o contrato”. Nada disso é verificação. É coleta de dados que servem para abrir contas, contratar crédito e montar novos perfis falsos. A LGPD exige de empresas e plataformas que coletam documentos a limitação ao mínimo necessário (art. 6º, III) e medidas de segurança contra vazamento (art. 46); uma conversa de WhatsApp não oferece nada disso.

E usar documento de identidade de outra pessoa é crime, com detenção de quatro meses a dois anos (art. 308 do Código Penal), assim como atribuir-se identidade falsa (art. 307).

5. O perfil montado

Fotos de terceiros, nome trocado, cidade de conveniência. Às vezes é um estelionatário; às vezes é uma agência escondida atrás de um perfil de babá autônoma. O perfil montado é a matéria-prima dos outros quatro roteiros. Ele só existe onde ninguém confere se a pessoa por trás da conta é quem diz ser.

Quadro com os cinco golpes em sites e grupos de babá: a vaga que cobra da candidata, a família fantasma, a babá fantasma, o documento no WhatsApp e o perfil montado, com o alvo de cada um e o sinal que denuncia
Dois roteiros miram o bolso da babá, um mira a família e dois atingem os dois lados

O que fazer nas primeiras 24 horas

  1. Se houve Pix: abrir o MED no app do banco, na própria transação do Pix, ou pelo atendimento da instituição, sem esperar. A vítima tem até 80 dias contados do envio, mas a chance de recuperar cai a cada hora em que o dinheiro sai da conta de destino.
  2. Registrar boletim de ocorrência, com os prints da conversa, do perfil, do anúncio e do comprovante. Confira no site da Polícia Civil do seu estado se a delegacia eletrônica aceita registro de estelionato; se não aceitar, vá à delegacia.
  3. Denunciar o perfil na plataforma (na Babá Certa, dentro da conversa, em “Denunciar conversa”) e, se o contato veio de grupo, avisar os administradores com os prints.
  4. Se enviou documentos: registrar a ocorrência também por esse motivo, acompanhar o CPF nos serviços de proteção ao crédito e desconfiar de qualquer contato “do banco” nos dias seguintes.
  5. Guardar tudo. Conversas, números, chaves Pix, horários. É o que permite ao banco e à polícia seguir o rastro, inclusive até a conta laranja.
Checklist das primeiras 24 horas após um golpe: abrir o MED no banco em até 80 dias, registrar boletim de ocorrência, denunciar o perfil, registrar o envio de documentos e guardar tudo; com os números do Anuário 2026 (2.261.055 estelionatos, 258 por hora) e da pesquisa FBSP/Datafolha (24,1 milhões de vítimas, R$ 1.198 de perda média)
A chance de recuperar um Pix cai a cada hora; o boletim e os prints são o que resta para a investigação da polícia

Site de babá é confiável? O que olhar antes de se cadastrar

O critério objetivo para avaliar um site de babá é simples: o que ele faz antes de deixar duas pessoas conversarem. Plataformas que confirmam a identidade de babás e famílias com documento e biometria, antes da troca de mensagens, tiram do jogo o perfil montado e, com ele, a maior parte dos roteiros. O ranking de sites de babá compara plataforma por plataforma o que cada uma verifica antes da primeira conversa.

Na Babá Certa, antes de aparecer na busca, toda babá confirma quem é: selfie com prova de vida, comparada ao retrato do CPF. A partir daí ela aparece para a família como “Em verificação” enquanto a equipe confere o CPF na Receita Federal e consulta os antecedentes na Polícia Federal ou, quando a Polícia Federal pede atendimento presencial, no atestado da Polícia Civil do estado. Enquanto os antecedentes não fecham, ela não se candidata, não aceita convite e não conversa com ninguém. A família também confirma quem é, com selfie e CPF, antes de publicar a vaga, e confirma o e-mail antes de conversar. É a diferença entre um perfil que confirmou quem é e um perfil que só disse quem é.

Verificar na entrada é só o começo, porque o golpe se aplica depois, na conversa. Dentro do app há moderação ativa: um sistema de detecção antifraude acompanha o que acontece depois do cadastro, e a conta que começa a se comportar como golpe é congelada na hora, antes de a conversa ir longe. As conversas passam por uma leitura de segurança, inclusive o que foi apagado, e o que o sistema encontra vai para uma pessoa da equipe, que lê, apura e decide. Quem entra para enganar é banido de vez, e o banimento vale para o CPF, o e-mail, o telefone e o aparelho. Isso não elimina todo risco, e ninguém honesto promete isso. Mas tira do caminho boa parte de quem entra para enganar alguém, e tira cedo.

A Babá Certa nunca cobra nada da babá; quem cobra em nome dela não é a Babá Certa. A página de segurança descreve o processo, sem prometer o que ninguém pode prometer: imunidade a todo golpe. O que a verificação remove é o ingrediente de que todos os roteiros precisam: o desconhecido.

Como a babá evita a vaga falsa

Uma regra desarma os dois roteiros que miram a babá: babá nunca paga por vaga. Nem taxa, nem curso, nem uniforme, nem exame, nem seguro. Contra os outros, vale o resto desta lista. Documento só dentro de plataforma com verificação e política de privacidade, nunca em conversa. Entrevista por vídeo com a pessoa que vai contratar, e primeiro encontro em lugar que você escolha. Salário muito acima do mercado, com pressa para “garantir a vaga”, é sinal, não sorte: o piso nacional em 2026 é R$ 1.621, e o guia de quanto custa uma babá mostra as faixas reais por região.

Como a família evita a babá fantasma

Nunca adiantar Pix antes de conhecer a pessoa. Não passar endereço a quem não confirmou a identidade. Conferir referências por telefone e conduzir a entrevista por vídeo antes do encontro. E, contratada a babá, registrar no eSocial: o contrato de trabalho é a prova de que a relação é real, com nome, CPF e endereço dos dois lados. O guia de como contratar babá organiza os passos, e o de antecedentes mostra o que cada certidão cobre depois que a pessoa é quem diz ser.

O golpe vive do intervalo entre a mensagem e a verificação. Fechar esse intervalo, dos dois lados, é o que resta a fazer enquanto 97% dos estelionatos seguem sem chegar a um tribunal.

golpes em sites de babásite de babá é confiávelvaga de babá falsaperfil falso de babágolpe do Pix adiantadotaxa de cadastro para babágolpe da falsa vaga de empregocomo verificar identidade da babá

Perguntas frequentes

Site de babá é confiável?

Depende do que o site faz antes de colocar duas pessoas em contato. O critério objetivo é se ele confirma a identidade dos dois lados com documento e biometria antes da conversa, se tem canal de denúncia, se continua de olho depois que a conversa começa e se cobra alguma coisa da babá. Plataforma que deixa qualquer perfil falar com qualquer perfil transfere a verificação para você. O ranking de sites de babá compara essas regras uma a uma.

Babá tem que pagar taxa de cadastro para conseguir vaga?

Não. Cobrança de taxa, curso, uniforme, exame ou "seguro" antes da vaga é o sinal mais claro do golpe da falsa vaga de emprego, alertado pela Febraban. Para empresas de trabalho temporário, a Lei 6.019/74 proíbe cobrar qualquer valor do trabalhador, e em 2025 o TRT do Rio Grande do Sul proibiu uma empresa de seleção de cobrar taxas de candidatos, com multa de R$ 10 mil por descumprimento.

Caí num golpe de Pix ao contratar babá. O que fazer?

Abrir o Mecanismo Especial de Devolução no app do seu banco o quanto antes: a vítima tem até 80 dias, contados do envio, para pedir o MED, e o banco tem até sete dias para analisar. Registrar boletim de ocorrência, guardar prints da conversa, do perfil e do comprovante, e denunciar o perfil na plataforma. A devolução pode ser total ou parcial, conforme o saldo na conta do golpista.

Mandar foto do RG e selfie pelo WhatsApp é verificação?

Não, é exposição. Verificação de identidade é um processo em que o documento é conferido, a biometria comprova que a pessoa é viva e é ela mesma, e os dados ficam protegidos por quem coleta, como exige a LGPD. Documento solto numa conversa pode abrir conta e contratar crédito em seu nome. Usar documento de identidade alheio é crime, previsto no art. 308 do Código Penal.

Como saber se a família que me chamou existe de verdade?

Família real não pede dinheiro à babá, não adianta salário por Pix antes de conhecer a pessoa e aceita entrevista por vídeo com quem vai contratar. Desconfie de salário muito acima do piso, de pressa para você "garantir a vaga" e de pedidos de documento antes de qualquer conversa. Prefira plataformas em que a família também confirma a identidade, e combine o primeiro encontro em local que você escolha.

Conteúdo educativo; não substitui atendimento médico. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Continue lendo

Pra contratar ou trabalhar, tem lugar no app.

No Babá Certa, famílias publicam vagas de graça e babás encontram oportunidades sem taxa, mensalidade ou comissão.